Como escolher uma maquininha de cartão para a ótica (taxas e prazos)
Como escolher maquininha de cartão para ótica: entenda taxa por venda, prazo de recebimento, antecipação e parcelado lojista antes de assinar.
A melhor maquininha para a ótica não é a que tem a menor taxa no anúncio, e sim a que combina taxa, prazo de recebimento e forma de parcelar com o jeito que a sua loja vende. Óculos com lentes multifocais costumam sair caros e parcelados, então uma diferença pequena na taxa ou no prazo pesa no fim do mês. Antes de comparar marcas, vale entender os conceitos.
O que você paga em cada venda no cartão
Toda maquininha cobra uma taxa por venda, que o mercado chama de MDR. É um percentual descontado do valor da venda antes de o dinheiro chegar na sua conta. Ela costuma ser diferente para débito, crédito à vista e crédito parcelado, e no parcelado pode mudar conforme o número de parcelas.
Além da taxa, olhe para:
- Aluguel ou compra da máquina: algumas empresas cobram mensalidade, outras vendem o aparelho. No aluguel você paga todo mês mesmo que venda pouco; na compra, paga uma vez e o aparelho é seu.
- Taxa de antecipação: cobrada quando você recebe antes do prazo normal (falamos dela abaixo).
- Condições para manter a taxa: algumas ofertas exigem um volume mínimo de vendas por mês. Se a ótica não atingir, a taxa sobe.
Peça sempre a tabela completa por escrito, com todas as modalidades. A taxa que aparece no anúncio geralmente é a do débito ou a de um plano específico.
Prazo de recebimento: D+1, D+30 e o que isso muda
O prazo diz quando o dinheiro cai na conta depois da venda. D+1 significa um dia útil depois; D+30, trinta dias depois. No parcelado, o padrão é receber cada parcela mês a mês, conforme o cliente paga a fatura.
Para uma ótica, isso importa porque você paga o laboratório e as armações antes de receber tudo do cliente. Imagine uma OS de R$ 1.800 em 6 vezes no cartão: se você recebe parcela por parcela, só terá o valor completo seis meses depois, enquanto o laboratório cobra a lente agora.
Por isso muitas maquininhas oferecem planos que já depositam tudo em D+1 ou D+2, com uma taxa maior embutida. Não é bom nem ruim por si só. Depende de quanto capital de giro a loja tem.
Antecipação: quando faz sentido e quando vira armadilha
Antecipar é pedir para receber hoje o que só cairia nos próximos meses. A empresa da maquininha cobra por isso, e o custo cresce com o tempo que falta até a data original.
Faz sentido antecipar quando:
- Você tem uma conta certa para pagar e não tem outra fonte de dinheiro mais barata.
- A antecipação é pontual, não um hábito de todo mês.
- Você já fez a conta de quanto vai receber de fato depois do desconto.
Vira armadilha quando a ótica antecipa tudo, todo mês, sem perceber quanto isso tira da margem. Se a loja vive precisando antecipar, o problema costuma estar no preço, no prazo que você dá ao cliente ou nas contas fixas, não na maquininha.
Parcelado lojista ou parcelado comprador
Esse ponto confunde muita gente e faz diferença em venda de óculos.
No parcelado lojista, o cliente vê "6x sem juros", mas a ótica paga uma taxa maior por isso. No parcelado comprador, o banco do cliente cobra juros dele, e você recebe o valor da venda como se fosse à vista (sujeito às regras da sua maquininha).
Muitas óticas usam as duas: até um certo número de parcelas sem juros, e a partir daí com juros para o cliente. Defina essa regra e deixe ela clara no balcão, para não decidir na hora, sob pressão.
Como comparar maquininhas na prática
Em vez de olhar só a taxa do débito, faça uma simulação com as vendas reais da sua loja. Um jeito simples:
- Pegue as vendas de um mês típico e separe quanto foi em débito, crédito à vista e crédito parcelado (e em quantas vezes, em média).
- Peça a tabela completa de cada empresa que você está avaliando.
- Calcule quanto ficaria de taxa em cada uma, com o mesmo volume de vendas.
- Some aluguel, se houver, e o custo de antecipar caso você precise do dinheiro antes.
- Compare o valor líquido que sobra e a data em que ele cai na conta.
Outros pontos que pesam no dia a dia: se a máquina imprime comprovante, se aceita Pix por QR Code, se o sinal funciona bem dentro da loja e como é o atendimento quando dá problema numa sexta à tarde. Uma máquina parada no sábado sai mais cara que qualquer diferença de taxa.
Dica: guarde a tabela de taxas assinada junto com os documentos da loja. Se a taxa mudar sem aviso, você tem como conferir e questionar.
Erros comuns no balcão
- Ter duas ou três maquininhas sem saber qual é mais barata para cada tipo de venda. Se você tem mais de uma, defina qual usar no débito e qual usar no parcelado.
- Não conferir o que caiu na conta. Sem conferência, uma taxa errada pode passar meses sem ninguém perceber.
- Confundir cartão com carnê. No cartão, quem assume o risco de o cliente não pagar é o emissor; no carnê da loja, o risco é seu. Cada um tem seu custo e sua cobrança. Se você trabalha com carnê, veja como cobrar o carnê sem constranger o cliente.
- Esquecer da taxa ao dar desconto. Um desconto de 10% numa venda parcelada em 10 vezes pode deixar pouco ou nada de margem depois da taxa.
Como o Oticoo ajuda
No Oticoo você cadastra cada maquininha uma vez, com as taxas de débito, crédito e parcelado e os prazos de recebimento. A cada venda no cartão, o sistema mostra o valor líquido e a data em que o dinheiro deve cair, o que facilita conferir o extrato e decidir se vale antecipar.
As vendas no carnê ficam no mesmo lugar, com as parcelas e o QR Code do Pix impresso. Veja como funciona o carnê para ótica e o restante do sistema para ótica.